A Estação ferroviária de Alcântara-Terra movimenta mais de um milhão de passageiros por ano, e comemora em 2025, 138 anos de história.
A sua construção teve início em 1886 e resultou numa obra de excelência representativa da época de explosão da arquitetura em ferro, ex-libris da segunda metade do séc. XIX, com projeto e obra de autoria de Bartissol e Seyrig, colaboradores da Casa Eiffel. A concessão que inicialmente foi atribuída a Henry Burnay & C.ª, por contrato de 9 de maio de 1883, foi trespassada para a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.
A Estação de Alcântara-Terra foi aberta à exploração a 2 de abril de 1887, período em que por toda a Europa se assiste à execução de grandes infraestruturas, como pontes, rede de caminhos de ferro, mercados, comunicações e salas de exposição. Originalmente era o terminal da Linha do Oeste, antes da criação da Estação do Rossio.
Ao longo das décadas 20 e 30, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses levou a cabo várias obras de remodelação nesta estação e realizou reparações parciais. Mais tarde, para a Exposição do Mundo Português foram apresentadas em Alcântara-Terra várias carruagens modernizadas nas oficinas do Barreiro. Nos anos seguintes foram assinados e concretizados os contratos para dar seguimento à eletrificação, e em 2001 iniciou-se a circulação de comboios de dois pisos entre Alcântara Terra e Vila Franca de Xira. Em 2006, o município de Lisboa apresentou várias soluções para o chamado Nó de Alcântara, através da criação de uma passagem desnivelada entre as Linhas de Cascais e de Cintura.
Em 2015, devido a alterações de horários e de pontos de origem e destino de várias ligações ferroviárias suburbanas, esta estação deixa de ser a estação de começo e término de comboios da ligação Azambuja - Alcântara-Terra e passa a ser o terminal da ligação ferroviária suburbana com Castanheira do Ribatejo, com serviço de passageiros e de mercadorias. Tem ainda ligação a Campolide através do túnel em Alcântara, ao Ramal de Alcântara-Mar e à Linha de Cascais.
Esta Estação ferroviária, movimenta mais de um milhão de passageiros por ano, e foi recentemente alvo de obras de reabilitação por parte da Infraestruturas de Portugal, integrando atualmente uma zona de estadia mais ampla e mais confortável, com melhores acessos para os utentes com mobilidade condicionada.
Desde 2017, no edifício principal funciona a sede da IP Património, empresa participada do Grupo IP, responsável pela gestão do património imobiliário, com experiência na exploração comercial na rede de estações e interfaces de transporte.
Património Azulejar
A adoção deste material representa a grande originalidade na decoração da fachada do edifício, além de uma economia na sua conservação e limpeza pela duração e proteção que lhes assegura. O revestimento azulejar, uma das características comuns nas estações ferroviárias em Portugal, visível nos lambris exteriores do edifício de passageiros e edifício anexo, está enquadrado pelas molduras dos vãos e do soco com azulejos em “pó-de-pedra”, com faixa de remate superior de cor azul. Os azulejos, produzidos na Fábrica de Cerâmica de Sacavém entre 1856 e 1994, constituem uma decoração geométrica monocromática, em tons de azul sobre fundo branco, aplicada a aerógrafo e stencil sob o vidrado. Um módulo único com desenho abstrato constituído por quadrados de tamanhos diferentes dispostos radialmente, pintados em dégradé, cujo grafismo é atribuído à influência da Bauhaus, escola precursora da Op Art (optical art), movimento artístico da segunda metade do século XX.